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IATE
CLUBE BRASILEIRO
Fundado em 10.09.1906
A VELA NO BRASIL
Com a fundação
do primeiro Iate Clube em 1906, o nosso Iatismo cresceu timidamente
até a década de 40, quando graças ao incentivo
de idealistas a nossa vela começou a tomar impulso. Hoje
temos importantes centros de vela espalhados ao longo do litoral
e no interior, de onde tem saído vários campeões
mundiais e olímpicos.
OS PRIMEIROS CLUBES
Pouco se sabe sobre
a pré-história do nosso Iatismo, mas com certeza
o berço do Iatismo como esporte organizado foi o antigo
Yatch Club Brasileiro.
Fundado em 1906 e tendo
como primeiro Comodoro o então Ministro da Marinha, almirante
Alexandrino de Alencar, o clube funcionou inicialmente no bairro
de Botafogo no Rio de Janeiro, mudando-se em 1910 para a praia
de Gragoatá em Niterói, no outro lado da baía
de Guanabara.
O Iatismo, a vela naquele
tempo, era praticado principalmente pelos sócios estrangeiros.
Eram ingleses, dinamarqueses, suecos, alemães, austríacos
e suíços que passavam os fins de semana velejando,
enquanto os nossos patrícios eram mais chegados a vida
social; davam preferência a festinhas e tardes dançantes.
Em 1913 os velejadores ativos, nada satisfeitos com os rumos que
o clube estava tomando, resolveram fundar o seu próprio
clube, o Rio Sailing Club, num terreno situado no Saco de São
Francisco, local onde se encontra até hoje.
Naquela época
os barcos tinham de ser importados da Europa, pois aqui não
havia estaleiros e carpinteiros navais familiarizados com a construção
de barcos para esporte. Com a I Guerra Mundial, a importação
de barcos tornou-se mais difícil, o que levou os sócios
do Clube a se reunirem para decidir sobre a criação
de um tipo de barco nacional que atendesse às exigências
dos velejadores: não muito grande e oneroso, mas suficientemente
seguro para velejar pela Baía de Guanabara, e que qualquer
carpinteiro ou mesmo sócio habilidoso pudesse construir
no quintal de sua casa.
O desenho ficou a cargo
de Harry Hagen, um dos sócios, razão pela qual passou
a ser conhecido com "Hagen Sharpie". O casco foi uma
novidade para aquela época, pois tinha o fundo em "V",
o que facilitava a construção amadora. Em 1915 foram
lançadas à água as primeiras unidades e o
barco revelava-se bastante marinheiro para as condições
locais de mar e vento. Era também ótimo para regatas
e embora não tivesse cabine, era suficientemente confortável
para pequenos cruzeiros pela Baía de Guanabara. Rapidamente
a flotilha cresceu.
Em 1936, com a colaboração
do então Comodoro Preben Schmidt, um dinamarquês
radicado no Brasil, o desenho do "Hagen Sharpie" foi
modernizado e os descendentes daqueles velejadores de 1915 continuaram
ativos até os nossos dias disputando regatas e fazendo
pequenos cruzeiros até o fundo da baía. Preben Schmidt,
o "velho Preben" como era conhecido, foi o patriarca
de mais duas gerações de velejadores: Axel e Eric,
tricampeões mundiais da Classe Snipe e Torben e Lars Scmidt
Grael (netos de Preben) igualmente tricampeões mundiais
de Snipe.
Enquanto isto o Yatch
Club Brasileiro perdeu sua importância, já que os
velejadores ativos haviam levado os seus barcos. A partir de 1916
o clube foi praticamente fundado de novo por um grupo de sócios
antigos, como os brasileiros Sá Peixoto, Guilherme Souto,
Armando Leite, Dias Amorim e os alemães Erns Wagner, Kurt
Kosser, Simesesn Rombauer, Klpsch, Engelhard, Bachmann, dentre
outros.
Este grupo saneou as
dívidas, e em 1923 o Yatch Club Brasileiro mudou-se para
o endereço atual no Saco de São Francisco ao lado
do Rio Sailing Club, e a Vela recomeçou a crescer, estimulada
pelo grande número de alemães e seus descendentes,
que formavam a maioria do quadro social. No mesmo ano o clube
adotou um monotipo, uma "jolle" alemã de casco
trincado, com 15 m² de área vélica. Em 1931
foi lançado na Alemanha o "Sharpie" 12m²
, e no ano seguinte o Yacht Club Brasileiro o adotou, formando
a primeira flotilha no Brasil. Rapidamente a classe se espalhou
por todo país.
Em 1935 Walter Heuer
encomendou na Alemanha os desenhos de um barco de bolina retrátil,
cabinado e com suficiente conforto para pernoites e cruzeiros
pela baía de Guanabara, naqueles tempos de águas
límpidas e cheia de ilhas ainda selvagens e desabitadas;
a nova classe se chamaria "Guanabara".
Durante a II Guerra
Mundial o Clube passou por nova crise; o então interventor
Doyat Fontenelle expulsou do Clube todos os sócios alemães,
o que levou muitos sócios brasileiros a também se
desligarem. Passada a guerra o clube agora chamado Iate Clube
Brasileiro voltou a crescer.
Hoje, com
excelentes instalações náuticas, uma bela
sede com salão social remodelado e com elevador instalado,
a administração mantém sua prioridade voltada
para o setor náutico. Em especial para as escolas de vela,
o que é garantia de manutenção das tradições
do clube.
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